Minotauro avalia 'missão cumprida' como lutador e reflete sobre carreira

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da wazamba

da fazobetai: Não era uma luta, tampoucouma apresentação de MMA,mas ainda assim um desafio. E dosgrandes. Do tamanho de sua contribuição para o esporte. Na últimaterça-feira, 1º de setembro, Antônio Rodrigo Nogueira, o Minotauro,convocou a imprensa e anunciousua aposentadoria aos 39 anos.Agora, diante da função de embaixador de relacionamento com atletas do UFC no Brasil, ele consolida aexecução de um ato que desempenhou durante toda a sua trajetória no esporte:ajudar o próximo. Se decidir pararfoi algo difícil, a alegria de podercontinuar envolvido com a modalidadeque ama parece compensar.

Depois de atender com a paciência e o bom humor de sempre membros da imprensa por mais de umahora, ele conversou com o LANCE!e mostrou já estar disposto a olharpara o futuro, sem deixar a saudadedo octógono o consumir. Perguntado se sentia ter deixado a vida de lutador com a “missão cumprida” depois de tantos feitos ao MMA e tamanha contribuição para o desenvolvimento do esporte no Brasil, sua resposta foi direta.

– Acho que sim. (A missão foicumprida) Com certeza. Mas acredito que, talvez fora do octógono,agora a gente tenha uma nova função: a de fazer campeões, ajudar aspessoas que precisam de apoio. Vamos trazer novos Minotauros – prometeu o ídolo peso-pesado.

Nesta entrevista, o ex-campeãodo extinto Pride e do UFC avalia adecisão de deixar de fazer o queama, reflete sobre seus feitos e seempolga com a “nova missão” quecomeça a exercer no esporte.

Confira o bate-papo com Rodrigo Minotauro
O que passou pela sua cabeçaquando você pisou no octógonopela última vez, no UFC 190,um mês atrás?
Eu treinei muito bem. Foram trêsmeses puxados, mas eu já sabia.Quando você vai fazendo a luta, nãoconsegue 100% de seudesempenho… Eu já tinha medecidido ali. Era uma luta de muitapressão, no Rio de Janeiro, dentro decasa. O público do Rio sempre teveum carinho diferenciado e especialcomigo. É uma mistura de sentimentosali na hora. Sabia que não poderiaperder e, por isso, quando levei doisou três socos que pegaram forte,mesmo assim eu fui para cima, nãodesisti em momento nenhum. Mas éum sentimento diferente para a gente.

Como você chegou a essa decisão,e o que te motivou a parar?
O que me motivou a parar de lutarfoi uma conversa, um convite, naverdade, conversando com o DanaWhite (presidente do UFC) e o GiovaniDecker (diretor do UFC no Brasil). Elescomentaram: “Rodrigo, o dia que vocêquiser parar, e não é querendo teforçar a fazer a última luta… Mas o diaque você parar de lutar, você tem umemprego para trabalhar com a gentena organização, no relacionamentoentre os lutadores e a organização”.Giovani percebeu que o lutador é oídolo, e a organização precisa do atletasadio e satisfeito para lutar bem, estarbem assistido. Dana White tambémsabe muito bem disso, e eles mefizeram esse convite, e de antemão eutinha aceitado. Eu sabia que sairiadaquela luta e exerceria uma novafunção. E não é só pensar na minhacarreira. Agora, é pensar em cemoutros lutadores que estãorepresentando o Brasil.

O que você já sabe sobre essecargo junto ao UFC?
Já temos 30 lutadores brasileirosque estão pré-anotados para entrar noUFC. Eles estão catalogados em umapossível troca de atletas. É uma funçãobem interessante que me seduziu. Euvi uma planilha do Giovani com todosos lutadores em ascensão, aquelesque precisam de um suporte maior,quem não vem ganhando e por quê,os que ganham precisam de maismídia, viagens e tudo mais… Pontoscomo quem tem desempenho melhoraqui dentro também. Ele conseguiuindetificar isso muito bem. Isso meseduziu muito. O carinho que aorganização está tendo com oslutadores nos últimos quatro mesestem sido especial.

Durante sua carreira, vocêsempre demonstrou uma ligaçãoforte com Tóquio (JAP), nostempos do Pride, e com o Rio, porsuas lutas no UFC. Consegueescolher o local preferido?
Tem de ser os dois lugares (risos).Em Tóquio, no Japão, tive uma energiamuito boa naquele lugar, e o respeitoque eles têm pelos lutadores é grande.Assim como o Rio de Janeiro, que édiferenciado. Aqui é uma vibraçãodiferente, a torcida grita a cada soco. Éum negócio especial que tenho poresses dois lugares. Foram os maismarcantes. Minha luta, talvez uma dasmais importantes, se não a mais, foicontra o Brendan Schaub (no UFC 134,em agosto de 2011, no Rio). Não foiuma disputa de título, longe de ser,mas essa vibração, o canto de “Ocampeão voltou”, aquela gritaria acada soco da luta que eu tomava e nãocaía… A galera gritava! Então, foramesses os dois lugares especiais.

Se você tivesse vencido a lutacontra o Stefan Struve, em suaúltima apresentação, você teriaanunciado a aposentadoria nooctógono naquele 1º de agosto?
Talvez (risos). Independentementedo resultado, essa função com o UFCme seduziu bastante, poder estar dolado de cá. Eu sempre fui um cara quenão pensava só em mim. Semprepensei em lutar, ganhar um títulomundial, mas sempre levando alguémcomigo. Desde a época do Pride,sempre tinham três, quatro atletaslutando junto no mesmo evento.

Do que você acha que vai sentir mais saudade agora do lado de fora do octógono?
Vou chorar, hein (risos). Acho que a preparação, o treinamento, acordar, treinar, saber que você tem aqueledesafio como meta. Vamos substituir esse objetivo pessoal por uma meta corporativa, pensando nos lutadores.

Tem alguma luta que gostaria deter feito, mas não conseguiu?
A (terceira) luta contra o (Frank)Mir. Queria ter feito antes de encerrara carreira, mas fiz um treinamentoagora, estava bem fisicamente, massenti que estava faltando algo na partefísica, e vi que era uma boa hora deparar. Gostaria de ter saído do esportecom a vitória, mas isso não era o maisimpotante. A Ronda (Rousey) é umgrande nome da modalidade, foi amaior venda de pay-per-view do UFCno ano. Novas pessoas vão chegar,tudo é questao de tempo.

Se você tivesse vencido a suaúltima luta, acha que teriaoptado por continuar lutando edesistiria de se aposentar?
O resultado não mudou muito. Agente vê quando tenta fazer algo enão sai, vê a evolução do esporte.Não mudou na minha decisão, masmeu corpo não está mais nos 100%para conseguir atingir essa atividade.Estou consciente, mas triste. Treinotodos os dias, faço muitos treinos,gostaria de estar lutando, mas decidique seria a hora certa. É uma misturade sentimentos: triste por sair darotina de treinamentos, mas poroutro lado agora faço como profissãoalgo que já exerço há muito tempodentro da minha trajetória.

Como foi a reação das pessoaspróximas a você quando tomouessa decisão de parar de lutar ese aposentar?
Tem pessoas que são fãs, quequerem me ver lutando. Após aúltima luta, tive pedidos paracontinuar. Não tive a chance de falarcom muita gente, foi uma decisãodentro de mim. Se parasse e falassecom outras pessoas, elas poderiamme influenciar. A decisão foi minha efiz a coisa certa. Falei com meu pai,que é meu conselheiro, e ele disseque tinha orgulho de mim. Tive oreconhecimento do UFC também efico feliz por trabalhar na maiorempresa do esporte do mundo.Recebi o reconhecimento do Giovani,Dana, do Lorenzo (Fertitta, dono doUFC) por deixarem eu trabalhar aolado deles. Ainda podemos fazercoisas boas pelo esporte

Você gostaria de deixar alguma mensagem para os fãs que apoiaram você durante esses 16 anos de carreira no MMA?
Gostaria de agradecer a todos portodos esses anos de apoio. Vi três gerações passarem. Já vi muitoscampeões depois de mim. Quando eu já era campeão do Pride, o BJ Penn (ex-campeão dos leves e dos meio-médios do UFC) estava começando a carreira. Ele parou antes do que eu. Agradeco o apoiode todos. Vou estar do lado de cá,vocês vão continuar me vendo, masestaremos sempre trabalhando paradivulgar o UFC e novos talentos.

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